Quanto você paga de tarifa no banco (e por que o número que aparece está errado)
Num extrato real de 12 meses, o relatório acusava R$ 13.130,18 de tarifa. Só R$ 62,00 eram tarifa. O resto era outra coisa com nome errado.
Se você abrir o app do seu banco e procurar quanto pagou de tarifa no último ano, vai achar um número. Esse número quase certamente está errado, e ele erra para cima.
Não é má fé do banco. É um problema de rótulo: a categoria "tarifas" do extrato engole coisas que não são tarifa, e ninguém confere.
Este texto mostra a conta real de um extrato de doze meses, o que estava dentro dela, e como refazer a sua em cerca de dez minutos.
O caso: R$ 13.130,18 que eram R$ 62,00
Num extrato real de doze meses, o relatório de custos somava R$ 13.130,18 de tarifa.
Quando cada lançamento foi aberto e conferido um a um, sobraram R$ 62,00. Uma anuidade de cartão. Só isso.
O que estava dentro dos R$ 13 mil que não era tarifa:
| valor | o que era |
|---|---|
| R$ 10.389,79 | quatro pagamentos de boleto que eram o pagamento da própria fatura do cartão |
| R$ 2.657,00 | parcelas de um seguro contratado, que é serviço escolhido, não tarifa |
| R$ 1.241,82 | um estorno, ou seja, dinheiro que voltou para a conta |
Os três merecem uma frase cada, porque cada um erra por um motivo diferente.
Pagar a fatura não é um custo novo
Quando você compra R$ 300 no cartão, o gasto aconteceu ali, no dia da compra. Quando a fatura vence e você paga, o dinheiro sai da conta, mas é a mesma despesa liquidando.
Contar as duas coisas cobra de você duas vezes pelo mesmo real. Foi o maior pedaço do erro: R$ 10.389,79 de "tarifa" que era o cartão sendo pago.
Seguro é serviço contratado
Seguro de vida, assistência residencial, proteção de cartão. Você pode achar caro ou achar inútil, e essa discussão é legítima. Mas não é tarifa: é um produto que alguém contratou, com um nome próprio e um contrato próprio.
Somar seguro dentro de tarifa esconde as duas coisas. Você deixa de ver quanto o banco cobra para manter a conta, e deixa de ver quanto está pagando de seguro.
Estorno é dinheiro que voltou
Esse é o mais grave, porque inverte o sinal. Um estorno de R$ 1.241,82 é crédito, não débito. Ele entrou como custo porque a consulta filtrava só lançamentos negativos, e o crédito que provava o desfazimento ficava de fora do filtro.
O resultado é um relatório que soma o problema e esconde a solução, na mesma tela.
Um segundo erro, do mesmo tipo
No mesmo extrato, o total de tarifas caiu de R$ 2.988,86 para R$ 1.462,45 quando uma multa de trânsito parou de ser contada como tarifa de banco.
A causa é quase engraçada: o classificador procurava a expressão "multa de transito", e o extrato do Itaú escreve PREF MUN SAO PAULO-MULTA TRANS. A palavra estava cortada, o padrão não casava, e a multa caía no balde do banco.
É o tipo de coisa que só aparece quando alguém abre o extrato de verdade, linha por linha.
Como refazer essa conta na sua conta
Você não precisa de app nenhum para isso. Precisa de doze meses de extrato e paciência.
- Baixe doze meses, não um. A cobrança que pesa é anual: anuidade, tarifa de
emissão, seguro anual. Um mês qualquer mostra R$ 0,00 e te dá a conclusão errada.
- Separe por quem cobrou, não pela palavra tarifa. Filtre pelo nome da instituição
como contraparte. A palavra "tarifa" quase nunca aparece no histórico.
- Tire o pagamento da fatura do cartão. É liquidação, não custo novo.
- Tire seguro e assistência. Some à parte, com o nome deles.
- Case cada estorno com a cobrança que ele desfez, no mesmo dia ou nos dias seguintes.
- O que sobrar tem nome oficial. A tabela de tarifas de pessoa física é padronizada
e pública, e é por esse nome que dá para comparar e contestar.
O que sobra depois desses cinco cortes é a sua tarifa de verdade. Costuma ser muito menor do que o relatório dizia, e muito mais fácil de discutir com o gerente, porque agora tem nome.
Por que quase todo app erra isso
Porque aceitar a etiqueta que veio pronta é barato, e conferir é caro.
O agregador recebe do banco uma categoria já escrita, confia nela e soma. Funciona no caso fácil e falha exatamente onde o dinheiro está: no lançamento grande, ambíguo, que ninguém classificou direito.
A alternativa não é ter um classificador mais esperto. É admitir quando o dado não prova. Um lançamento que não bate com nenhum nome oficial da tabela devia aparecer como não classificado, e ficar de fora do total, em vez de entrar como tarifa porque o balde estava vazio.
Um total redondo, feito de partes que ninguém conferiu, é pior que um total menor com uma pendência declarada ao lado. O primeiro te faz decidir errado com confiança.
O resumo em quatro linhas
- O número de tarifa que o app do banco mostra tende a estar inflado, não por má fé, mas
por rótulo errado.
- Os três suspeitos de sempre: pagamento da própria fatura, seguro contratado e estorno.
- A janela honesta para julgar custo de banco é de doze meses, nunca um.
- O que sobra tem nome oficial em tabela pública, e é isso que dá para contestar.
Veja isso na sua conta
O Aprum conecta suas instituições por Open Finance e separa o que foi provado do que ainda não foi. Ele não move dinheiro, e não recomenda ativo.
Conhecer o Aprum