Aprum

Taxa de performance: quando ela é cobrada de fato

· 4 min de leitura

A taxa de performance incide só sobre o que passar do índice combinado, e só quando passa. Sem isso, é taxa de administração disfarçada de outro nome.

Dois fundos podem cobrar exatamente a mesma taxa de performance nominal e cobrar valores muito diferentes um do outro, porque o percentual sozinho não diz sobre o quê ele incide, nem quando é cobrado. A resposta certa depende de duas peças que costumam ficar de fora da conversa: o índice de referência e a marca d'água.

O mecanismo: percentual sobre o que passar do combinado

A taxa de performance não incide sobre o rendimento total do fundo. Ela incide sobre a parte do rendimento que superou um índice de referência definido em regulamento, geralmente o CDI para fundos de renda fixa e multimercado, ou um índice de ações para fundos de bolsa.

Se o fundo rendeu abaixo desse índice no período, não há taxa de performance nenhuma a cobrar, porque não houve excesso a remunerar. A taxa de administração continua sendo cobrada de qualquer forma, porque ela remunera a estrutura, não o resultado. A taxa de performance é diferente: ela só existe quando existe excesso, e incide só sobre o excesso, não sobre o rendimento inteiro.

O que é a marca d'água

A marca d'água é o mecanismo que impede cobrar duas vezes pela mesma recuperação. Se o fundo teve um período ruim, ficou abaixo do índice de referência acumulado, e depois recuperou, a taxa de performance só volta a ser cobrada depois que o fundo superar o ponto mais alto que já havia atingido antes da queda, ajustado pelo índice de referência no caminho.

Sem essa trava, um fundo poderia cobrar performance na subida, devolver na queda sem devolver a taxa já paga, e cobrar de novo na próxima subida até o mesmo patamar, mesmo sem ter entregado ganho novo nenhum ao cotista desde o início. A marca d'água existe para alinhar a cobrança ao ganho que de fato é novo.

Por que o índice de referência muda tudo

O mesmo fundo, com a mesma taxa nominal de performance, cobra valores diferentes conforme o índice de referência escolhido no regulamento. Um fundo referenciado ao CDI só cobra performance quando supera o CDI do período. Um fundo referenciado a um índice de ações precisa superar esse índice, que se movimenta de um jeito totalmente diferente do CDI.

Isso está ligado ao mesmo problema de fundo tratado em pós-fixado, prefixado ou IPCA+: um percentual, sozinho, não diz nada sem o indexador ao lado. O percentual nominal de taxa de performance não é comparável entre dois fundos se os índices de referência de cada um não forem também comparados.

Apuração diária, cobrança periódica

A parte do excesso sobre o índice de referência costuma ser apurada dentro do valor da cota com a mesma frequência diária usada para provisionar a taxa de administração, mas o débito efetivo da taxa de performance segue a periodicidade definida em regulamento, que pode ser diferente da apuração diária. Isso significa que o valor da cota já reflete, dia a dia, o efeito estimado da taxa de performance, mesmo antes de ela ser formalmente debitada, e é por isso que dois fundos com o mesmo desempenho bruto no mês podem mostrar cotas com comportamento levemente diferente perto da data de apuração.

Performance alta pode significar risco maior, não gestão melhor

Um fundo que cobra taxa de performance com frequência, período após período, pode estar entregando gestão consistentemente acima do índice de referência, ou pode estar assumindo mais risco do que o índice de referência carrega, o que aumenta tanto a chance de superar o índice quanto a chance de ficar bem abaixo dele em outro período. Olhar só a frequência com que a taxa de performance foi cobrada, sem olhar a oscilação da cota no mesmo histórico, não separa essas duas explicações.

Taxa de performance não é taxa de administração mais alta

É comum confundir as duas porque as duas aparecem juntas na lâmina do fundo, mas elas respondem a lógicas opostas. A taxa de administração é cobrada sempre, ganhe ou perca o fundo, porque remunera a estrutura de gestão. A taxa de performance só é cobrada quando existe excesso sobre o índice de referência, e só sobre esse excesso.

Um fundo pode ter taxa de administração baixa e taxa de performance alta, ou o contrário, e nenhuma das duas combinações é automaticamente mais cara: depende de quanto excesso o fundo de fato entrega, período após período, algo que só aparece olhando o histórico inteiro, não um único mês.

Como conferir na sua conta

  1. Abra a lâmina ou o regulamento do fundo e procure o índice de referência usado para

calcular a taxa de performance. Sem esse dado, o percentual de taxa sozinho não permite comparação nenhuma com outro fundo.

  1. Verifique se o fundo está abaixo ou acima da marca d'água no momento atual: essa

informação costuma constar do relatório de gestão periódico.

  1. Confira, mês a mês, se a taxa de performance foi cobrada só nos meses em que o fundo

superou o índice de referência combinado, e não em meses de rendimento abaixo dele.

  1. Compare taxa de administração e taxa de performance separadamente entre fundos, nunca

somando as duas num único número, porque elas incidem sobre bases diferentes.

O resumo em quatro linhas

definido em regulamento, e só quando esse excesso existe.

queda.

não é comparável entre fundos com referências diferentes.

a outra só sobre o excesso, e não devem ser somadas num único número de custo.

Veja isso na sua conta

O Aprum conecta suas instituições por Open Finance e separa o que foi provado do que ainda não foi. Ele não move dinheiro, e não recomenda ativo.

Conhecer o Aprum

Leia também