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Tesouro Direto: qual título responde a qual pergunta

· 4 min de leitura

Selic, prefixado e IPCA+ não competem entre si: cada um responde a uma pergunta diferente. A escolha depende da pergunta, não do rótulo do título.

A plataforma do Tesouro Direto mostra uma lista de títulos com nomes parecidos e taxas diferentes lado a lado, como se fossem opções concorrentes de um mesmo produto. Não são. São respostas a três perguntas diferentes, e a pergunta certa para cada pessoa muda conforme o que ela precisa fazer com aquele dinheiro.

O mecanismo: três tipos, três perguntas

Tesouro Selic é pós-fixado, atrelado à taxa Selic (a taxa básica de juros da economia, que também move o CDI de perto). Ele responde à pergunta: "quanto isso rende acompanhando a taxa de juros do momento, sem travar nada?" É o título com menor oscilação de preço no curto prazo entre os três, porque seu valor de mercado se move pouco antes do vencimento.

Tesouro Prefixado trava uma taxa fixa ao ano desde a compra. Ele responde a uma pergunta diferente: "quanto isso paga, garantido nesse percentual, até o vencimento, independentemente de a Selic subir ou descer depois?" O preço desse título antes do vencimento oscila mais do que o do Tesouro Selic, porque o valor de mercado se ajusta conforme a expectativa de juros futura muda.

Tesouro IPCA+ paga a variação da inflação mais um percentual fixo adicional. Ele responde à pergunta tratada em ganho real: "quanto isso entrega, garantido, acima da inflação do período, até o vencimento?" Esse título também oscila de preço antes do vencimento, pelo mesmo motivo do prefixado, com o efeito adicional da variação da própria expectativa de inflação.

Por que nenhum dos três é "o melhor"

Essa diferença de mecanismo é a mesma tratada em pós-fixado, prefixado ou IPCA+: os três indexadores respondem perguntas diferentes, e nenhum é conversível no outro sem uma premissa sobre o futuro que ninguém pode garantir de antemão. Um título pós-fixado não é "mais seguro" nem "mais arriscado" que um prefixado de forma absoluta: cada um concentra um tipo diferente de incerteza (a trajetória futura da Selic, no caso do prefixado e do Selic; a trajetória futura da inflação, no caso do IPCA+).

O prazo de vencimento escolhido também muda a resposta, independentemente do tipo de título: um vencimento distante expõe quem vende antes da data a mais oscilação de preço no meio do caminho, porque o valor de mercado do título reage a mudanças de expectativa de juros e inflação durante todo esse tempo.

Recompra diária não é o mesmo que valor no vencimento

O Tesouro Nacional garante recompra dos títulos antes do vencimento, o que dá ao Tesouro Direto uma liquidez de resgate praticamente diária. Mas o valor pago nessa recompra antecipada é o preço de mercado do título naquele dia, não o valor combinado no momento da compra. Para o Tesouro Selic, esse preço de mercado costuma ficar próximo do valor esperado, porque o título oscila pouco. Para o prefixado e o IPCA+, o preço de recompra pode estar acima ou abaixo do valor que a pessoa projetava quando comprou, dependendo de como as expectativas de juros e inflação se moveram entre a compra e a recompra antecipada.

Quem mantém até o vencimento não é afetado pela oscilação do meio do caminho

A oscilação de preço de mercado do prefixado e do IPCA+ só afeta, de fato, quem vende ou resgata antes do vencimento. Quem mantém o título até a data combinada recebe exatamente a taxa contratada na compra, aplicada sobre o valor investido, porque o título paga o combinado no vencimento, independentemente do caminho que o preço de mercado percorreu antes disso. É essa característica que separa o risco de mercado de curto prazo (relevante para quem pode precisar vender antes) do risco de crédito, que no caso do Tesouro Direto é o risco soberano do Tesouro Nacional, distinto do risco de qualquer emissor privado.

Todos os três seguem a mesma regra de imposto

Confira a regra vigente na fonte oficial, mas os três tipos de Tesouro Direto são tributados pela mesma tabela regressiva de imposto de renda usada em renda fixa em geral: 22,5% até 180 dias, 20% até 360 dias, 17,5% até 720 dias, e 15% acima disso. Quanto mais tempo o título permanece aplicado, menor a alíquota sobre o rendimento no resgate ou vencimento.

Diferente de uma LCI ou LCA, o Tesouro Direto não tem isenção de imposto de renda para pessoa física: a tributação regressiva se aplica integralmente. E, diferente de um CDB, o Tesouro Direto não passa pela cobertura do FGC: a garantia, nesse caso, é do Tesouro Nacional, um mecanismo diferente, não uma ausência de proteção.

Como conferir na sua conta

  1. Para cada título de Tesouro Direto que você tem, identifique o tipo (Selic, prefixado

ou IPCA+) e a taxa ou percentual contratado no momento da compra.

  1. Verifique a data de vencimento de cada título e se ela é compatível com o prazo em que

você pode precisar resgatar esse dinheiro sem vender antes do vencimento.

  1. Aplique a alíquota de imposto de renda correspondente ao tempo de aplicação, conferindo

a tabela vigente na fonte oficial, para saber o rendimento líquido esperado.

  1. Se pensa em vender antes do vencimento, lembre que o preço de mercado de prefixado e

IPCA+ oscila mais do que o do Tesouro Selic nesse intervalo.

O resumo em quatro linhas

dinheiro: acompanhar a Selic, travar uma taxa fixa, ou garantir ganho acima da inflação.

nenhum dos três é, por construção, superior aos outros.

de imposto de renda da renda fixa em geral, de 22,5% a 15% conforme o prazo.

mecanismo diferente de proteção, não uma lacuna.

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