O que é CET e por que é o único número comparável
O Custo Efetivo Total junta juros, tarifas, tributos e seguros exigidos. É obrigatório em qualquer proposta e é o que dá para comparar de fato.
Duas propostas de crédito com a mesma taxa de juros mensal podem custar valores bem diferentes no fim do contrato. A taxa de juros sozinha não conta a história inteira, e é para resolver exatamente esse problema que existe o CET.
Este texto não parte de um número medido, porque o objetivo é explicar o conceito: depois de entender o que entra dentro do CET, fica mais fácil olhar para qualquer proposta de crédito e saber o que ela está escondendo, se estiver escondendo alguma coisa.
O que entra dentro do CET
CET é a sigla para Custo Efetivo Total. É um número único, expresso em percentual ao ano, que reúne tudo o que uma operação de crédito cobra:
- Juros, no percentual efetivamente contratado.
- Tarifas administrativas, como taxa de abertura de crédito ou tarifa de cadastro.
- Tributos, principalmente o IOF incidente sobre a operação.
- Seguros exigidos como condição do crédito, quando o contrato torna a contratação
obrigatória para liberar o valor.
A regra que sustenta isso é simples: se um custo é condição para você conseguir o crédito, ele tem que entrar no CET. Seguro que é oferecido como opcional, e que você pode recusar sem perder a operação, não é obrigatório dentro do CET, mas ainda assim precisa estar descrito à parte na proposta.
Por que a taxa de juros isolada não basta
Uma taxa de juros de 2% ao mês parece simples de comparar entre dois bancos. O problema é que essa taxa, sozinha, não diz nada sobre tarifas cobradas na entrada, sobre o IOF que incide de forma diferente conforme o prazo, ou sobre um seguro que uma das duas propostas exige e a outra não.
Duas propostas com taxa de juros idêntica podem ter CET diferente porque uma cobra tarifa de cadastro e a outra não, ou porque uma exige seguro prestamista e a outra deixa opcional. O CET absorve essas diferenças e devolve um único número anual, que é o que efetivamente compara o custo total de tomar aquele crédito, e não só o custo do dinheiro emprestado.
É a mesma lógica que explica por que o pagamento mínimo do cartão custa mais do que a taxa de juros do rotativo sozinha sugere: tarifas e encargos adicionais mudam o custo final, e só aparecem somados quando alguém calcula o CET da operação.
CET é obrigatório, e isso é a parte útil
Toda instituição financeira regulada é obrigada a informar o CET antes da contratação de qualquer operação de crédito ou financiamento. Não é um dado opcional nem um diferencial de marketing: é exigência regulatória, prevista em resolução do Conselho Monetário Nacional.
Essa obrigatoriedade é o que torna o CET útil na prática: como toda proposta precisa mostrá-lo, ele é o único número que dá para colocar lado a lado entre instituições diferentes sem precisar reconstruir manualmente cada tarifa e cada tributo embutido. Isso vale tanto para contratar um crédito novo quanto para decidir se compensa fazer uma portabilidade de crédito para outra instituição.
CET não é o mesmo número em todo lugar que aparece
Vale um cuidado extra: o CET de uma proposta de empréstimo pessoal, o de um financiamento de veículo e o de um cartão de crédito não são calculados sobre a mesma base, porque os prazos e os custos embutidos de cada modalidade são diferentes. Comparar o CET de um empréstimo com o CET de um cheque especial, por exemplo, ainda é válido para saber qual dos dois custa mais caro, mas não serve para prever exatamente quanto cada um custaria se aplicado ao mesmo valor e ao mesmo prazo, já que a estrutura de cobrança de cada produto é diferente por natureza.
Isso explica também por que um cheque especial com taxa perto de 130% ao ano aparece tão distante do CET de um empréstimo consignado, que costuma ficar numa faixa bem mais baixa: são produtos com garantias e riscos diferentes para quem empresta, e o CET reflete isso de forma direta, ainda que ambos sejam expressos na mesma unidade, percentual ao ano.
O ponto prático de reunir tudo numa única unidade de medida é justamente permitir esse tipo de comparação entre modalidades diferentes, mesmo sabendo que a estrutura interna de cada uma não é idêntica.
Como conferir na sua conta
- Peça a proposta de crédito por escrito, mesmo que a conversa inicial tenha sido por
telefone ou aplicativo. O CET precisa estar descrito no documento.
- Procure a expressão "Custo Efetivo Total" ou a sigla "CET (% a.a.)" no contrato ou
simulação. Ela costuma vir perto da taxa de juros, mas é um número diferente.
- Se for comparar duas propostas, compare sempre o CET, nunca só a taxa de juros mensal
anunciada.
- Verifique se algum seguro está marcado como obrigatório para a liberação do crédito. Se
estiver, ele precisa estar refletido no CET informado.
- Desconfie de qualquer proposta que não mostre o CET de forma clara. A ausência dele não
é detalhe, é uma informação que deveria estar lá por obrigação.
O resumo em quatro linhas
- CET é o percentual anual que junta juros, tarifas administrativas, tributos e seguros
exigidos como condição do crédito.
- A taxa de juros isolada não mostra tarifas nem seguros embutidos, então duas propostas
com a mesma taxa podem ter custo final diferente.
- Toda instituição regulada é obrigada a informar o CET antes da contratação, por
exigência do Conselho Monetário Nacional.
- Comparar propostas de crédito pelo CET, e não pela taxa de juros sozinha, é o jeito de
comparar o custo real de cada uma.
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